MORTE DE SANTO AGOSTINHO

Ao contrário do que sucede com outros escritores cristãos, Agostinho não perdeu a esperança diante da catástrofe política. Viu como o papel social, espiritual e intelectual do Cristianismo havia intensificado sua força em muitas partes do mundo. Não acreditava que a queda do Império Romano arrastaria consigo a queda do Cristianismo. Uma de suas últimas sentenças foi a seguinte citação do filósofo neoplatônico Plotino: ‘Não tem nobre coração quem considera um momento importante o desmoronamento das cidades e a morte dos viventes’. Agostinho, com seu próprio exemplo, nos ensina como viver na adversidade. Ele viveu numa época de mudanças revolucionárias: o colapso do mundo antigo dava à luz um mundo novo. Uma força irreprimível obriga a Europa a quebrar a estrutura estabelecida com vistas a um futuro novo. Este futuro não acabava na esfera política. Afetava a toda civilização e cultura de seu tempo: modelos de pensamento e de vida.
As tropas dos Vândalos sitiavam Hipona quando Agostinho morria a 28 de agosto de 430. Morreu rezando os Salmos Penitenciais que havia mandado copiar e colocar à sua vista na parede de seu quarto.