Segundo Agostinho, podemos resumir a mensagem da Bíblia em dois mandamentos: amor a Deus e amor ao próximo. Escreve: ‘Minha esperança no nome de Cristo não é inútil, porque não somente creio, meu Deus, que dos dois mandamentos do amor dependem toda a Lei e os Profetas, como eu mesmo já experimentei, e ainda o experimento a cada dia, que nem sequer um só mistério ou palavra obscura da Sagrada Escritura se tornam claros, até enquadrá-los nestes dois mandamentos”. Aqui Agostinho se adapta fielmente à linha de pensamento de São Paulo: O amor é o cumprimento da Lei (Rom 13,10) e: O amor é o fim do mandato (1Tm 1,5). A palavra “fim” não quer dizer que o amor acaba com os demais mandamentos ou que os anula, senão que o amor é a perfeição de qualquer outro preceito com o qual o relacionemos. Estes dois mandamentos caracterizam tanto o Novo como o Antigo Testamento. Portanto, as palavras de Cristo: “Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros assim como eu vos tenho amado” (Jo 13, 34), não somente renovaram os Apóstolos ou a nós mesmos, mas também os patriarcas, profetas e santos que viveram durante o tempo da Antiga Aliança.