Amar com o amor de Deus


Deus é amor. Revelando-se a si mesmo como bom e misericordioso, Deus se revela a Si mesmo como amor. Isto equivale para nós a uma interpelação, uma exigência e um mandato de amar os seres humanos como Deus os ama. A mais elevada forma de amar os irmãos e irmãs reside em amá-los com o amor de Deus, que nos foi dado pelo Espírito Santo. Daí que nosso amor é uma participação do amor de Deus, que abrange a qualquer ser humano, inclusive nossos inimigos. Nosso amor deve refletir o amor de Deus. Quando Agostinho fala de amor, fala do amor como dom divino, que capacita a vontade humana com um novo desejo, lutar pela verdade divina, a sabedoria, a paz e a justiça. Amar com tal amor exclui tudo que é pecaminoso, quer dizer, ânsia possessiva ou egoísta, orgulho, vaidade, honra e louvor próprios e buscar exclusivamente nosso próprio proveito. O fato de ser o amor um dom de Deus tem sua aplicação em primeiro lugar em amar por Deus, porque somente Ele pode dar-se a si mesmo a nós. Ele nos amou primeiro. E, está claro, que o mesmo princípio vale para amar o próximo. O Espírito Santo nos inflama para amar o nosso próximo. Segundo Agostinho, um simples amor natural de uns para com os outros não basta, porque com facilidade descuidaremos Deus, nosso supremo bem. Amar os outros como a nós mesmos significa que ele ou ela podem encontrar seu bem onde nós o encontramos, quer dizer, em Deus. Somente sob esta luz podemos entender corretamente a famosa sentença de Agostinho: “Ama e faze o que quiseres, porque desta raiz só pode nascer o bem”. O amor é a norma mais difícil que temos; jamais significa que somos livres para fazer o que quer que tenhamos vontade.